quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A Década de 80





A década de 1980, ou simplesmente década de 80, conhecida ainda como anos 80, foi um período bastante marcante para a história do século XX   no ponto de vista dos acontecimentos políticos e sociais.  Eventualmente, esta década, foi considerada como o fim da idade industrial e início da idade da informação.

Na área da Ciência e Tecnologia foram  desenvolvidos as primeiras interfaces gráficas, Windows e o MacOS; houve o  início da fabricação de computadores pessoais como o IBM PC e o Apple Macintosh; o Desenvolvimento do CD, fabricação dos walkmans e videocassetes. A Sega e a Nintendo monopolizavam a indústria dos consoles e videogames. Nessa década, jogos como Pac-Man, Super Mario Bros, Tetris, Golden Axe e Moonwalker tornaram-se populares e fazem sucesso até hoje.

Na Política e no Brasil foi fundado o Partido dos Trabalhadores em 1980. Rondônia, em 1981, Amapá e Roraima em 1988 deixaram de ser territórios e passaram a ser estados da federação brasileira e houve a Criação do estado de Tocantins em 1988.  Ocorreu o  movimento Diretas Já, que reivindicava a volta das eleições diretas para presidente do Brasil em 1984; o fim da ditadura militar no Brasil em 1985;  a Promulgação da Constituição brasileira de 1988, em vigor até os dias atuais.

No mundo afora um aparelho que se tornaria corriqueiro na década seguinte, apareceu pela primeira vez nos Estados Unidos em 1983: o telemóvel. O muro de Berlin foi derrubado em 1989 abrindo caminho para a reunificação do país que aconteceria em 1990.

Na música nacional consolidavam-se os cantores e as bandas de música pop e de rock and roll como Legião Urbana, Ultraje a rigor, Engenheiros do Hawaii, Titãs, RPM, Barão Vermelho, Ira, Biquini Cavadão, Camisa de Vênus, Capital Inicial,  Paralamas do Sucesso, Blitz, Ira, Nenhum de Nós, Barão Vermelho,Capital Inicial, Kid Abelha, Léo Jaime, Biafra,e muitos outros. A MPB consagrou a posição de destaque das vozes femininas na música brasileira, entre os fenômenos individuais destacam-se Elba Ramalho, Simone, Marina Lima, Maria Bethânia, Zizi Possi, Fafá de Belém, Gal Costa, Rita Lee, Rosana entre outros. Dentre as vozes masculinas, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Tom Jobim, Guilherme Arantes, Flávio Venturini, Ivan Lins e Gilberto Gil.

No Brasil foi lançado o primeiro Rock in Rio em1985.

Na música internacional alguns exemplos se consagram nessa década: as bandas Iron Maiden , Metállica,  Megadeth,  Bon Jovi, AC/DC, Guns N' Roses, The Cure, Scorpions, A-ha, U2, The Police, Duran Duran.  Os anos 80 ficaram conhecidos também como a década da música eletrônica. Dentre os artistas internacionais mais carismáticos, destacam-se Michael Jackson, Madonna, Cyndi Lauper, Tina Turner,George Michael, Boy George, Lionel Richie, David Bowie, Whitney Houston, Prince, Billy Idol, Roxette, Menudo, Pet Shop Boys entre outros.

Os filmes que se destacavam na década de 80 foram:   Superman,  A Lagoa Azul, Curtindo a Vida Adoidado, Os Goonies, De Volta para o Futuro, Gremlins,Um Lobisomem Americano em Londres, La Bamba, Rambo, Platoon, Highlander, Duro de Matar, Stalone Cobra, Mad Max, A Hora do Pesadelo, Porkys, O Exorcista, Flashdance, Sexta Feira 13, Predador, Robocop e etc.

Na televisão existiam  programas de auditório e variedades como a TV Mulher, Cassino do Chacrinha, Globo de Ouro, Vídeo Show (que desde 1983 está no ar), Domingão do Faustão (desde 1989), Hebe (desde 1986), Viva a Noite com Gugu Liberato, Jô Soares Onze e Meia (desde 1988), Criança Esperança (desde 1986), Viva o Gordo, Chico Anysio Show, A Praça é Nossa desde 1987, TV Pirata.  Nos programas infantis existiam o Balão Mágico, Bozo, Xou da Xuxa; no tele jornalismo, o Globo Rural desde 1980, Bom Dia Brasil, TJ Brasil, Jornal da Manchete, as séries como Magnum, Mcgiver, A Gata e o Rato, Ilha da Fantasia, Os Trapalhões, Armação Ilimitada entre outros.

Alguns nomes marcaram a história dos anos 80 como Atari, Lango Lango, Banco Imobiliário, Pogobol, Genius, Autorama, Aquaplay, Walkman, Fofolete, Gel New Wave, Cometa Halley, Escort XR3, álbum de figurinhas “amar é....”, calças semi-bag, kichutee e por aí vai..........

É bom resgatar a esperança e o otimismo que havia no país na década de 80, depois do fim do período militar. O curioso é que dessa listinha, tem um monte de gente que ainda está por aí. Cada época tem um sabor especial por motivos pessoais. Assim como nossos pais dizem ainda hoje que “no tempo deles é que era bom”. E assim segue a vida. Tomara que nossos netos, apesar dos atentados terroristas, dos mensalões, das guerras sem justificativa, também possam olhar pra trás e sentir saudade do que temos hoje. 

sábado, 7 de maio de 2011

Ditadura

Na época da ditadura podíamos acelerar nossos Mavericks acima dos 120km/h
sem a delação dos radares, mas não podíamos falar mal do presidente.
Podíamos cortar a goiabeira do quintal, empesteada de taturanas, sem que
isso constituísse crime ambiental, mas não podíamos falar mal do presidente.Podíamos tomar nossa redentora cerveja após o expediente, sem o risco de
sermos jogados à vala da delinqüência, mas não podíamos falar mal do
presidente.Não usávamos eufemismos hipócritas para fazer referências a raças (ei negão), credos (esse crente aí) ou
preferências sexuais (fala sua bicha) e não éramos processados por isso, mas não podíamos
falar mal do presidente.
Íamos a bares e restaurantes cujas mesas mais pareciam Cubatão em razão de
tantos fumantes, os quais não eram alocados entre o banheiro e a coluna que
separa a chapa, mas não podíamos falar mal do presidente.
Cantava a menina do contas a pagar ou a recepcionista sem medo de sofrer processo judicial por
assédio, mas não podia falar mal do presidente...
Hoje a única coisa que podemos fazer é falar mal do presidente! Que merda!
(Autor desconhecido)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Vida

Vida
É o amor existencial

Razão
É o amor que pondera.

Estudo
É o amor que analisa.

Ciência
É o amor que investiga.

Filosofia
É o amor que pensa.

Religião
É o amor que busca a Deus.

Verdade
É o amor que eterniza.

Ideal
É o amor que se eleva.

Fé
É o amor que transcende.

Esperança
É o amor que sonha.

Caridade
É o amor que auxilia.

Fraternidade
É o amor que se expande.

Sacrifício
É o amor que se esforça.

Renúncia
É o amor que depura.

Simpatia
É o amor que sorri.

Trabalho
É o amor que constrói.

Indiferença
É o amor que se esconde.

Desespero
É o amor que se desgoverna.

Paixão
É o amor que se desequilibra.

Ciúme
É o amor que se desvaira.

Orgulho
É o amor que enlouquece.

Sensualismo
É o amor que se envenena.

Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor, não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.

Caridade: Amor e Ação

Você já pensou a respeito do amor ao próximo, recomendado por todas as grandes religiões do Mundo?

Certamente quando pensamos no amor-sentimento, como uma forte afeição, confiança plena, deduzimos que é difícil amar os próprios amigos, e quase impossível amar os inimigos.
No entanto, vale a pena refletir sobre os vários significados da palavra amor.
Paulo de Tarso, quando escreveu aos Coríntios, no capítulo 13, falou da caridade como sendo o amor em ação.
Disse o apóstolo: "A caridade é paciente, é benéfica; não é invejosa nem temerária; não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não é injusta, apóia a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera."
Interessante refletir sobre o amor por esse ângulo.
No dicionário encontramos mais uma definição de amor: "Sentimento de caridade, de compaixão de uma criatura por outra, inspirada pelo sentido de sua relação comum com Deus."
Assim fica mais fácil compreender o amor e praticar o amor para com os semelhantes.
Pois se é verdade que nem sempre você consegue controlar o que sente por outra pessoa, pode perfeitamente escolher o seu comportamento com relação a ela.
Se uma pessoa age mal, se é agressiva, desonesta, você pode escolher agir com respeito, paciência, honestidade, mesmo que ela aja de maneira inversa.
Assim se expressa o amor-ação, o amor-atitude, o amor-comportamento.
Podemos deduzir, pelas palavras de Paulo de Tarso, que foi a esse amor que ele se referiu, em sua Carta aos Coríntios.
E faz mais sentido se entendermos que foi esse amor-atitude que Jesus recomendou que praticássemos para com nossos inimigos.
Não podemos sentir ternura sincera por alguém que nos agride ou que fere um afeto nosso, mas podemos ter atitudes de tolerância, perdão, compaixão.
Como todos ainda somos imperfeitos e sujeitos a cometer equívocos, devemos ter, uns para com os outros, atitude de benevolência, que é uma faceta do amor-ação.
Assim sendo, sempre que se deparar com situações que lhe exijam fazer escolhas, você poderá escolher ter uma atitude amorosa, sem que para isso precise sentir amor pelo próximo.
Ter atitudes de paciência, bondade, humildade, respeito, generosidade, é escolha de quem deseja cultivar a paz.
Além disso, agir com serenidade diante das situações adversas, é uma escolha sábia, faz bem para a saúde física e mental e não tem contra-indicação.
Mas se reagimos com agressividade, ódio, descontrole, estaremos minando nossa saúde de maneira desastrosa.
Não é por outra razão que, após uma crise dessas, surgem as dores de cabeça, de estômago, de fígado, dores lombares, e outras mais.
Vale a pena refletir sobre tudo isso e procurar agir como quem sabe o que está fazendo, e não como quem aceita toda provocação e reage conforme as circunstâncias, infelicitando-se ainda mais.
Pense nisso!
A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo.
Agir com calma é atitude de quem tem controle sobre a própria vontade.
Lembre-se: Agir com calma é agir com caridade.
E há a caridade em pensamentos, em palavras e em ações.
Ser caridoso em pensamentos é ser indulgente para com as faltas do próximo.
Ser caridoso em palavras, é não dizer nada que possa prejudicar seu próximo.
Ser caridoso em ações é assistir seu próximo na medida de suas forças.
Pense nisso, e coloque seu amor em ação.

Redação do Momento Espírita, com pensamento extraído do item 3, do capítulo XIX de O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.

A Caridade

Dentre as maravilhas ensinadas por Jesus de Nazaré, o homem que dividiu a nossa História, está a caridade.

Um costume muito comum aos fariseus, era o de tentar o Mestre, fazendo-Lhe perguntas que julgavam embaraçosas. Todavia, Jesus a todas respondia com presteza e sabedoria.
Certo dia, um deles, que era doutor da lei, propôs a seguinte questão: ”Mestre, qual o grande mandamento da lei?”
Jesus lhe respondeu: “Amarás o senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. Esse o maior e o primeiro mandamento.
Eis o segundo, que é semelhante ao primeiro: amarás o teu próximo, como a ti mesmo. E acrescentou: toda lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.”
Como é fácil perceber, Jesus sintetizou a Lei e todos os ensinos dos profetas nestes dois mandamentos: Amar a Deus e ao próximo.
Se um não for cumprido, o outro também não será, ou seja, não se pode amar a Deus, sem amar Seus filhos, ou amar os filhos sem amar o Pai.
Podemos compreender com isso, que Jesus falava da caridade, pois na seqüência da resposta Ele narrou a parábola do samaritano.
A parábola faz referência a três pessoas que se depararam com um homem ferido no caminho, e ressalta que quem se compadeceu e o socorreu foi um samaritano, considerado herético, mas que pratica o amor ao próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade.
Percebemos nos ensinos de Jesus, que a prática da caridade é uma condição para a conquista da felicidade.
Vejamos que a caridade não é somente dar coisas, mas doar-se ao próximo, condição que não requer recursos financeiros nem influência social. Todos podemos fazê-la.
O apóstolo Paulo fala da caridade com as seguintes palavras: “Ainda que eu tivesse a linguagem dos anjos; tivesse o dom da profecia que penetrasse todos os mistérios; tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou.”
E prossegue dizendo: “E, quando houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.”
Está bem claro nos ensinos de Paulo, que o fato de distribuir os bens materiais não é suficiente, ou não é só nisso que consiste a verdadeira caridade.
A caridade material é apenas uma faceta, a outra é a caridade moral. Não basta ter fé, não precisa ser profitente desta ou daquela religião, é preciso ter caridade como a entendia Jesus: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.
É, em resumo, fazer ao próximo todo o bem que desejamos que o próximo nos faça.

* * *
”Nos caminhos claros da inteligência, muitas vezes as rosas da alegria completa produzem os espinhos da dor, mas, nas sendas luminosas da caridade, os espinhos da dor oferecem rosas de perfeita alegria”.

Redação do Momento Espírita, com base no item 4 do cap. XV de O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb e no verbete Caridade do livro Dicionário da alma, Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb

sábado, 6 de novembro de 2010

Poema para Deus

Um dia, a alma desperta e se encanta com a manhã que se espreguiça no horizonte.

Sente-se como que a pairar acima e além da escala humana.
Então, se recorda ser filha de um Pai amoroso e bom. Recorda de um Criador que a tudo para todos provê.
E plena de gratidão, extravasa em versos sua alma:
Deus, Inteligência das inteligências, Causa das causas, Lei das leis, Princípio dos princípios, Razão das razões, Consciência das consciências.
Bem tinha razão Isaac Newton ao descobrir-se, toda vez que pronunciava Vosso nome.
Deus, Pai bondoso, eu Vos encontro na natureza, Vossa filha e nossa mãe.
Eu Vos reconheço, Senhor, na poesia da criação, no vento que dedilha harmonias na cabeleira das árvores.
Nas cores que se apresentam tão diversificadas em matizes e gradações.
Nas águas que rolam, silentes, em córregos minúsculos, nas cachoeiras que se lançam, ruidosas, de alturas consideráveis, no verdor da grama que atapeta o jardim e as praças.
Reconheço-Vos, Pai, na flor dos jardins e pomares, na relva dos vales, no matiz dos campos, na brisa dos prados.
Senhor, eu Vos encontro no perfume das campinas, no murmúrio das fontes, no rumorejo das menores ramificações das copas das árvores.
Também Vos descubro na música dos bosques, na placidez dos lagos, na altivez dos montes, na amplidão dos oceanos, na majestade do firmamento.
Eu Vos vejo, Senhor, na criança que sorri, brinca, pula e distribui alegrias, provocando risos.
Eu Vos reconheço, Pai, no ancião que anda lento, que tropeça. Mas, sobretudo, na inteligência que ele revela, resultado de suas experiências bem vividas.
Eu Vos descubro no mendigo que implora, na mão que assiste, na mãe que vela, no pai que instrui, no Apóstolo que evangeliza.
Deus! Reconheço-Vos no amor da esposa, no afeto do filho, na estima da irmã, na misericórdia indulgente.
E Vos encontro, Senhor, na fé do que a tem, na esperança dos povos, na caridade dos bons, na inteireza dos íntegros.
Reconheço-Vos, Senhor, na inspiração do poeta, na eloquência do orador, na criatividade do artista.
Também Vos encontro na sabedoria do filósofo, na intelectualidade do estudioso, nos fogos do gênio!
E estais ainda nas auroras polares, no argênteo da lua, no brilho do sol, na fulgência das estrelas, no fulgor das constelações.
Deus! Reconheço-Vos na formação das nebulosas, na origem dos mundos, na gênese dos sóis, no berço das humanidades, na maravilha, no esplendor, no sublime do Infinito!
Por fim, entendo, com Jesus, quando ora:
Pai nosso, que estais nos céus...
Ou com os anjos quando cantam: Glória a Deus nas alturas...

Redação do Momento Espírita, com base em poema de Eurípedes Barsanulfo, do livro O homem e a missão, de Corina Novelino, ed. Ide.

Em 04.11.2010.

Administrando o Medo

Recente pesquisa revelou que muitos brasileiros vivem dominados pelo medo.

Medo que vai desde o de ser assaltado, perder um filho, descobrir que tem uma doença grave, não conseguir pagar as contas, a sofrer um acidente, ter um ataque cardíaco ou perder o parceiro.
Alguns dos entrevistados revelaram que nem saem de casa ou que, em casa, vivem em sobressalto, ao menor ruído estranho.
Naturalmente, vivemos num mundo onde há muita violência, maldade e dificuldades.
Mas é importante se pense um pouco, a fim de não se engrossar o rol dos que vivem sob a injunção do medo, perdendo anos preciosos das próprias vidas.
Assim, não sofra por antecipação. Algumas pessoas, sugestionáveis, assistem imagens violentas na TV e acham que fatos como aqueles poderão acontecer com alguém da sua família.
Tomar precauções é recomendável. A ninguém se pede que seja incauto, imprevidente.
Mas daí a ficar pensando, a toda hora, que algo terrível vai acontecer, será o mesmo que desistir da vida desde agora.
Pessoas que assim agem podem não se tornar vítimas de acidentes, de assaltos ou de doenças, mas do próprio medo.
Medo que as manterá infelizes, isoladas.
Por isso, nunca deixe que o medo o paralise. Faça o que tiver que fazer: ir à escola, às compras, ao templo religioso.
Se enfrentar medos e preocupações sozinho lhe parecer difícil, procure ajuda. Pode ser de um psicólogo, de grupos de pessoas que sofrem problemas semelhantes ou de um bom amigo.
E, em vez de se torturar com uma infinidade de contas a pagar, pense mais antes de adquirir o novo eletrodoméstico, de realizar a viagem dos seus sonhos, comprar a roupa da moda.
Aprenda a viver de acordo com os recursos que dispõe. Dê um passo de cada vez. Planeje férias com antecedência. Programe-se.
Não gaste tudo que ganha. E, muito menos, não gaste o que ainda não ganhou.
Não fique pensando em ganhar na loteria, na sena, na loto, no programa televisivo. Trabalhe e sinta orgulho de poder, com seu próprio esforço, ir adquirindo o de que necessita.
Em vez de ficar pensando na possibilidade de se manifestar essa ou aquela doença terrível, opte por fazer check-up anual.
Não espere para ir ao médico somente quando a dor o atormente, um problema de saúde se manifeste.
Procure o médico para saber se está tudo bem com você. Faça exames. Pratique exercícios sob supervisão.
Ande até a panificadora, em vez de ir sempre de carro. Pratique jardinagem, lave o carro.
Pense, sobretudo, positivamente: Deus protege a minha vida. Sou abençoado por Deus. Sou filho de Deus.
Trabalhe com alegria, ganhando as horas. Não transforme o seu ambiente profissional em um cárcere de torturas diárias.
Sorria mais. Faça amigos. Converse com os amigos. Estabeleçam, entre vocês, um cuidado mútuo.
Isso no que se refere a você, aos seus filhos, ao seu patrimônio.
Unidos seremos fortes.
Enfim, não tenha medo do medo. Ele é um legado saudável e protetor. Mas se torna um problema quando fica exagerado ou irracional.

* * *

Mantenha sua confiança em Deus, que governa o mundo e zela por sua vida.
De todos os medos o que mais o deve preocupar é o de perder a presente reencarnação, por comodismos e invigilância.
E para este, a melhor solução é realizar, a cada dia, o melhor de si, entregando-se a Deus.

Redação do Momento Espírita com base no artigo
Você tem medo de quê?, da Revista Seleções do Reader´s Digest, de fevereiro de 2006.
Em 02.05.2008.

sábado, 10 de abril de 2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Cabana - William P. Young

Esta história deve ser lida como se fosse uma oração – a melhor forma de oração, cheia de ternura, amor, transparência e surpresas. Se você tiver que escolher apenas um livro de ficção para ler este ano, leia A cabana." - Michael W. Smith

Publicado nos Estados Unidos por uma editora pequena, A cabana se revelou um desses livros raros que, através do entusiasmo e da indicação dos leitores, se torna um fenômeno de público – já são quase dois milhões de exemplares vendidos – e de imprensa.
Durante uma viagem de fim de semana, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada e evidências de que ela foi brutalmente assassinada são encontradas numa cabana abandonada.
Após quatro anos vivendo numa tristeza profunda causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o para voltar à cabana onde aconteceu a tragédia.
Apesar de desconfiado, ele vai ao local do crime numa tarde de inverno e adentra passo a passo no cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas o que ele encontra lá muda o seu destino para sempre.
Em um mundo tão cruel e injusto, A cabana levanta um questionamento atemporal: se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento?
As respostas que Mack encontra vão surpreender você e podem transformar sua vida de forma tão profunda quanto transformou a dele. Você vai querer partilhar este livro com todas as pessoas que ama.

****
Durante uma viagem que deveria ser repleta de diversão e alegria, uma tragédia marca para sempre a vida da família de Mack Allens: sua filha mais nova, Missy, desaparece misteriosamente. Depois de exaustivas investigações, indícios de que ela teria sido assassinada são encontrados numa velha cabana.
Imerso numa dor profunda e paralisante, Mack entrega-se à Grande Tristeza, um estado de torpor, ausência e raiva que, mesmo após quatro anos do desaparecimento da menina, insiste em não diminuir.
Um dia, porém, ele recebe um estranho bilhete, assinado por Deus, convidando-o para um encontro na cabana abandonada. Cheio de dúvidas, mas procurando um meio de aplacar seu sofrimento, Mack atende ao chamado e volta ao cenário de seu pesadelo.
Chegando lá, sua vida dá uma nova reviravolta. Deus, Jesus e o Espírito Santo estão à sua espera para um "acerto de contas" e, com imensa benevolência, travam com Mack surpreendentes conversas sobre vida, morte, dor, perdão, fé, amor e redenção, fazendo-o compreender alguns dos episódios mais tristes de sua história.
Intenso, sensível e profundamente transformar, este livro vai fazer você refletir sobre o poder de Deus, a grandeza de seu amor por nós e o sentido de todo o sofrimento que precisamos enfrentar ao longo da vida.

sábado, 21 de novembro de 2009

Você é insubstituível?

Primeiro responda, e depois leia o texto:
Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores.
Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça:"Ninguém é insubstituível".
A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa dizer nada.
De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:

- Alguma pergunta?
- Tenho sim. E o Beethoven?
- Como? (O encara o gestor confuso).
- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu o Beethoven?

Silêncio.

Ouvi essa estória esses dias contados por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso...
Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.
Quem substitui Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Albert Einstein? Picasso? Zico?
Todos esses talentos marcaram a História fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.
Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar 'seus gaps'.
Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis obsessivo... O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.
Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.
Se seu gerente / coordenador, ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo e Gisele Bündchen por ter nariz grande. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos.
Quando o Zacarias dos Trapalhões faleceu, ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim:
"Estamos todos muitos tristes com a partida de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:.. Ninguém... pois nosso Zaca é insubstituível"
Portanto nunca esqueça: Você é um talento único... Com toda certeza ninguém te substituirá.
Isso não só na vida profissional, mas na pessoal também... mas antes de esperar a conscientização do seu chefe o primeiro a se convencer disso é você, por você e pelos outros que trabalham a sua volta!
(Autor desconhecido, infelizmente)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Depois de cinco anos a dívida “caduca”... Será mesmo?

Muitos devedores acreditam que após cinco anos as suas dívidas “caducam” e, não precisarão mais se preocupar com o assunto. Não é raro o inadimplente que ameaça mover Ação de Danos Morais, devido aos constrangimentos causados pela cobrança de dividas vencidas a mais de cinco anos.
O conceito não é bem este, pois, é necessário distinguir dois importantes pontos: a “informação negativa” e a “prescrição da dívida”.
A informação negativa do devedor é mantida nos bancos de dados ou cadastros de consumidores utilizados pelas instituições de proteção ao crédito. Que são reguladas pelo Código de Defesa do Consumidor. Além das informações negativas, que são os protestos, cheques sem fundos, dívidas não pagas, também são mantidos os dados positivos do consumidor, como, por exemplo, pagamentos pontuais e volume de compras, dentre outras.
A prescrição é a perda da ação em conseqüência do não uso dela, durante um determinado espaço de tempo. No caso de uma dívida, a prescrição ocorre pela falta de ação promovida pelo credor contra o devedor dentro dos devidos prazos definidos por lei. As dívidas não “caducam” após cinco anos.
O que ocorre é que as instituições de proteção ao crédito não podem manter em seus cadastros e bancos de dados, informações negativas referentes ao período superior a cinco anos. É o que estabelece o Código de Defesa do Consumidor (lei 8.078/90) em seu artigo 43, §1º:
§ 1° Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não podendo conter informações negativas referentes a período superior a cinco anos.
O prazo de cinco anos a que se refere a lei deve ser contado a partir da data que deu origem à informação depreciativa sobre o devedor e não da inserção da informação no cadastro. Na prática, o consumidor (seja pessoa física ou jurídica), terá novamente o nome limpo na praça. Já que, os órgãos e entidades de proteção ao crédito devem retirar as informações negativas de seus bancos de dados após o período de 5 (cinco) anos.
Entretanto, o simples fato de serem excluídas as informações negativas, não quer dizer que a dívida “caducou”. Sendo a dívida legítima, após os cinco anos o credor ainda pode acionar o devedor judicialmente. Ao exemplo da "Ação Monitória" que pode ser proposta para títulos que perderam a força executiva num prazo de até 10 anos.
Portanto, não devemos confundir a informação negativa com a prescrição de dívida. Mesmo não existindo mais a informação negativa após passados os cinco anos, pode o credor promover medidas de cobrança contra o devedor

Por Dr. Denis Siqueira.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Livro: Os Mandamentos da Lucratividade


HABIB'S: UM NEGÓCIO DAS ARÁBIAS
Alberto Saraiva
Os mandamentos da lucratividade: as histórias e ensinamentos de um negócio que parecia impossível.
8ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
O surgimento do negócio no formato de franquia foi uma criação esplêndida para o mundo dos negócios. Criar um modelo e, a partir dele, fazer cópias idênticas, que ofereçam o mesmo atendimento e a mesma qualidade dos produtos e serviços foi uma idéia genial que revolucionou o mercado. Muitas empresas adotam esse modelo padronizado que, estatisticamente, tem mais chances de consolidar-se no mercado que uma empresa fora do modelo franchising. A idéia foi de Ray Kroc quando criou o Mc Donald’s que, atualmente, tem como um dos seus principais concorrentes, no Brasil, o Habib’s. Para competir com aquele, Alberto Saraiva, fundador do Habib’s, teve que ser visionário e inovador em um país como o Brasil, marcado pelas crises econômicas, onde mais de 70% das empresas fecham as portas nos dois primeiros anos de vida. Saraiva foi um garoto humilde que enfrentou muitos obstáculos com muita coragem e determinação. Quando jovem, sofreu com a morte violenta e precoce de seu pai, o que lhe fez ter muita garra para “vencer na vida”. Ele cursava o primeiro ano de Medicina, curso que abandonou para se dedicar ao negócio da família – uma padaria - quando seu pai foi morto em um assalto. Inexperiente, passou por muitas dificuldades gerindo a padaria e percebeu que era preciso conhecer o trabalho realizado na empresa para não depender de seus funcionários. Conhecendo bem as atividades da empresa, pôde selecionar melhor seus colaboradores. Dessa experiência o autor tirou muitas lições e orienta: “aprenda a fazer aquilo que se administra, aprenda tudo sobre seu produto; receitas, processos, emprego da mão-de-obra, uso dos equipamentos. Quanto mais conhecê-lo, melhor. Não dependa de outras pessoas para que seu negócio floresça e se consolide” (pg. 81). A padaria prosperou e, em 1976, quando ele cursava o terceiro ano da faculdade, obteve seu primeiro lucro comercial com a venda da padaria, o qual investiu em uma lanchonete. Essa foi a sua primeira negociação de muitas que ainda viriam. Administrando a lanchonete, constatou que o respeito e a atenção pelas pessoas de idade foi uma das chaves do sucesso do seu negócio. Ao dar atenção a um simples senhor, conheceu um dos melhores cozinheiros árabes de São Paulo, que foi o responsável pelo conhecimento de comida árabe de que Alberto precisava para consolidar seu restaurante que recebeu o nome Habib’s – palavra árabe que significa amigo. Saraiva percebeu uma oportunidade observando o público de baixo poder aquisitivo e esse foi o seu diferencial. Sua trajetória para conquistar um espaço no mercado brasileiro, e agora também mundial, é tratada em seu livro Os Mandamentos da Lucratividade. O livro desenvolve-se a partir de alguns “mandamentos”, forma um pouco religiosa que ele utiliza para expressar algumas concepções que identifica como essenciais para o sucesso de um empreendimento. O autor dividiu a obra em quatro etapas e abordou em cada uma delas um aspecto crucial do negócio, facilitando a leitura. Em um primeiro momento o autor fala sobre como cuidar do atendimento. Em sua primeira loja Habib’s ele cumprimentava cada clientes e chamava-os pelo nome. Em seguida, o atendimento era rápido, a comida feita com ingredientes de ótima qualidade e ao final a conta era justa. Dessa forma, ele democratizou o consumo de seus produtos com preços que são acessíveis às pessoas de baixo poder aquisitivo, fazendo com elas pudessem freqüentar um restaurante, comer bem e gastar pouco. Com o slogan “nossos preços começam com zero” (pg. 76) o Habib’s atrai multidões de consumidores e lucra na quantidade de produtos vendidos, mesmo com uma baixa margem de lucro. Foi o preço baixo por uma comida de qualidade que chamou a atenção de uma cliente que se interessou em abrir a primeira franquia Habib’s. Com o tempo, a franquia se expandiu e começou a competir com outras empresas de fast-foods. Ao verificar que os produtos de algumas lojas não seguiam a padronização estabelecida, Alberto decidiu abrir uma cozinha central de onde eles vinham semiprontos. Isso permitiu que os funcionários dedicassem mais tempo ao cliente, porque, para Saraiva, a rapidez é fundamental na captação e conquista dos clientes. Ele costuma dizer que “para vencer na vida é preciso ter olhos de lince” (pg. 105), fazendo uma analogia entre o lince e o gerente que deve estar atento ao comportamento dos clientes para decifrar suas mímicas e antecipar-se a qualquer sinal de insatisfação. Alberto acredita que o segredo do seu sucesso foi persistir, não aumentar o preço por longos períodos e manter a mesma qualidade do seu produto. Ele enfatiza que os aspectos visuais influenciam notavelmente a clientela, por isso o ambiente do restaurante deve estar sempre limpo e agradável. Oferecer vantagens perceptíveis e sedutoras, atendendo às necessidades dos clientes é a melhor forma de atraí-los, diz ele. Além das vantagens, o atendimento aos clientes é uma forma de superar os concorrentes e essencial para alcançar o sucesso. Visando a padronização e o sucesso das franquias, ele criou um manual de fast-food do Brasil: o Manual de Operações da Rede Habib’s. Além disso, teve a idéia de criar a UTIH – Unidade de Terapia Intensiva do Habib’s para diagnosticar e solucionar os problemas das lojas. Resumindo essa primeira parte, é preciso “servir bons produtos, da maneira rápida, sempre com muita atenção, aos menores preços possíveis, em um ambiente agradável e limpo” (pg. 133). Em um segundo momento, o autor trata da importância de cuidar das despesas. Não contrair financiamentos é outra chave do sucesso. Desta forma, uma das políticas da rede Habib’s é: o investimento para se abrir uma franquia deve provir do patrimônio do investidor. Por essa razão, permite-se que haja diversos sócios, mas jamais empréstimos e financiamentos. Folha de pagamento enxuta é outro ponto a se destacar quando se trata de despesas. Saraiva teve a idéia de centralizar a cozinha para reduzir o número de profissionais que têm salário alto, assim, diminuiu o custo de produção, o que lhe permitiu praticar preços baixos. Não é fácil tomar a decisão de demitir funcionários, mas é muitas vezes indispensável para diminuir os gastos. Com a diminuição dos gastos no curto prazo, o lucro aparecerá no longo prazo e a empresa poderá crescer e oferecer outras vagas de trabalho em suas novas unidades. A pesquisa de preço dos insumos e seleção de fornecedores deve ser feita criteriosamente buscando o menor custo possível, mas mantendo sempre a qualidade dos produtos. Também para diminuir os custos de produção, Alberto prefere não utilizar a terceirização, pois acredita que a “verticalização”, como ele denomina, é mais barata e permite maior controle sobre a qualidade do produto final. Ele também destaca que a terceirização não pode jamais ser utilizada em processos estratégicos da empresa, por isso, empresas da rede são as responsáveis por pesquisar pontos comerciais para a abertura de novas franquias, pela propaganda e marketing e pelo serviço de atendimento ao cliente. Alberto defende a terceirização somente quando não se tem conhecimento para produzir o produto, oferecer o serviço ou quando o produto da terceirização está sob total controle. Ele cita como exemplo o sorvete o sorvete do Habib’s que é produzido por uma empresa da rede. Isso permite praticar preços mais baixos do que se ele terceirizasse comprando os sorvetes da Kibon. Para ele, a terceirização diminui a competitividade e vai contra o principal mandamento: preço baixo. Ele lembra que deve-se estar atento às receitas e despesas, fazendo a contabilidade da empresa criteriosamente para não se deslumbrar com o faturamento e esquecer-se das dos gastos. Na terceira parte do livro, o autor fala das vendas. Ao definir o cardápio do Habib’s, ele verificou quais os produtos que os clientes mais consumiam. É preciso vender aquilo que o cliente compra, diz ele. As margens de lucro das bebidas, sobremesas e aperitivos são altíssimas, por isso o restaurante trabalha em cima de metas de vendas. Defini-se quanto cada cliente deve consumir de bebida e sobremesa. Os garçons devem alcançar essa meta e buscar superá-la para serem bonificados. A pessoa responsável pelas vendas deve estar atenta aos números, aos funcionários, ao atendimento, assim como, à motivação deles para vender. Essa é uma função definida pelo autor como “Coluna Mestra”, que são as funções para as quais é imprescindível recrutar pessoas capacitadas e éticas, comprometidas com a cultura e o objetivo da organização. Já na quarta e última parte do livro, Alberto fala mais sobre o cuidado com as pessoas e suas funções. A motivação dos funcionários é fator decisivo para ter bom atendimento e bons resultados. Para mantê-los motivados, a recompensa que eles receberão é a inspiração de que eles precisam para trabalharem rápido e atenderem bem aos clientes. Quando os funcionários não estão desempenhando bem sua função, muitas vezes, a solução pode ser o reposicionamento. Um funcionário pode não ser bom para determinada função, mas excelente para outra. Antes de demiti-lo, vale repensar se ele é capaz de desempenhar melhor outro cargo. Algumas funções não podem ser delegadas às pessoas que não sejam treinadas e avaliadas pela rede, principalmente quando se trata de funções estratégicas. Saraiva acredita que as “Colunas Mestras” são a base do negócio. Uma falha nelas e o negócio pode falir em pouco tempo. Mesmo que se tenha confiança em determinadas pessoas, elas devem ser capazes e comprometidas com o negócio. Para manter o comprometimento dessas pessoas, uma solução é torná-las sócias, assim elas terão mais motivação para trabalhar, uma vez que um lucro maior para a empresa significa uma fatia maior para elas também. Alberto deixa a dica: “Você até que não precisa ser tão bom, mas sua equipe sim. Descubra talentos” (pg. 237). Alberto Saraiva, médico por formação, mas empreendedor por vocação, acreditou em um sonho e foi guiado sempre por novos sonhos. Ao alcançar um sonho, sonhava mais alto. De uma lanchonete, em 15 anos, ele fez uma rede de restaurantes com mais de 250 franquias que empregam aproximadamente 12.000 funcionários diretamente. São 600 milhões de esfirras vendidas e mais de 120 milhões de clientes atendidos por ano. Ao realizar o seu sonho com o sucesso do Habib’s no Brasil ele sonhou mais alto e introduziu a rede no mercado mexicano, internacionalizando essa rede brasileira de restaurantes árabes. Nos próximos anos espera-se que ela esteja em novos mercados, como o europeu e o americano.
O livro de Alberto Saraiva além de contribuir para uma melhor compreensão do modelo de franquia, do seu funcionamento e dos aspectos que merecem maior atenção para criar e consolidar uma empresa no mercado, também relata a história da vida de uma pessoa determinada, visionária e sonhadora que acreditou em uma idéia e construiu um império com muito trabalho e dedicação a partir de poucos recursos. Sua trajetória é simplesmente inspiradora, principalmente, para as pessoas que pretendem abrir ou expandir seu negócio. Ele demonstra um certo partidarismo ao citar várias vezes o Presidente Luis Inácio Lula da Silva e também sua religiosidade ao tratar do assunto como mandamentos e citar várias vezes sua fé. É também um pouco tradicional ao ser contra à terceirização que, hoje, é muito utilizada para descentralizar as operações e processos nas empresas.
O livro é uma boa leitura para estudantes, pequenos e médios empreendedores, pois com uma linguagem simples, ele ensina com exemplos práticos. Pode-se aprender muito mais com sua trajetória para criar o Habib’s do que com livros teóricos sobre empreendedorismo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A arte de ouvir

Praticar a arte de ouvir é estar atento aos detalhes.


Sempre que me perguntam quais são os atributos diferenciados de um líder, procuro ressaltar dois: estar disponível e saber ouvir. A meu ver, são os essenciais. Manter-se disponível exige disciplina, generosidade e, principalmente, sentir desejo de estar com as pessoas. Quem se esconde atrás da agenda lotada não lidera. Ela serve de desculpa para não ter de apoiar, educar, elogiar e para não ter de ouvir!

Ouvir é estar atento aos pequenos detalhes
A complexidade do mundo moderno exige que os problemas sejam abordados coletivamente. Praticar a arte de ouvir quer dizer estar atento aos detalhes de cada questão apresentada, às sutilezas de cada problema e ao que cada situação tem de única. Essa prática exige concentração, disponibilidade, rapidez de raciocínio e poder de síntese. Olhe em sua volta. Quem é a pessoa com quem você gosta de conversar quando precisa de uma opinião? Provavelmente, a resposta será um bom ouvinte. Aliás, é preciso aprender a ouvir ativamente. Porque também existem os ouvintes passivos, que olham para você como se estivessem prestando atenção, mas que estão com a cabeça em outro lugar. Quem ouve ativamente participa da conversa, indaga, estimula, pede explicações mais detalhadas.
Quem ouve atentamente torna digna e respeitosa a conversa. E por que toda essa preocupação com esse importante atributo da liderança? Porque estamos nos tornando surdos. Diariamente, lemos e respondemos e-mails calados. Nos ligamos a mais pessoas nas redes sociais, lemos o que elas escrevem e elas nos leem. Mas não as ouvimos! Algumas tecnologias de comunicação oral estão crescendo e o exercício de ouvir começa a voltar lentamente, mesmo doendo nos ouvidos.
Procure exercitar sua audição. No lugar do e-mail, vá até a pessoa com quem deseja falar, que às vezes está na sala ao lado. Faça isso periodicamente e exercite sua capacidade de ouvir. Mostre interesse. Essa combinação de disponibilidade associada ao ato de ouvir serve para tudo. Melhora as relações pessoais, afi na o respeito e cria uma consciência de parceria, que é fundamental neste complexo mundo moderno. Você me ouviu?

Luiz Carlos Cabrera é professor da Eaesp-FGV, diretor da PMC Consultores e membro da Amrop Hever Group

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Trabalho acadêmico

Trabalho acadêmico é o texto (em sentido lato ou estricto) resultado de algum dos diversos processos ligados à produção e transmissão de conhecimento executados no âmbito das instituições ensino, pesquisa e extensão universitária, formalmente reconhecidas para o exercício dessas atividades.

Finalidades

As diversas finalidades do trabalho acadêmico podem se resumir em apresentar, demonstrar, difundir, recuperar ou contestar o conhecimento produzido, acumulado ou transmitido. Ao apresentar resultados, o texto acadêmico atende à necessidade de publicidade relativa ao processo de conhecimento. A pesquisa realizada, a ideia concebida ou a dedução feita perecem se não vierem a público; por esse motivo existem diversos canais de publicidade adequados aos diferentes trabalhos: as defesas públicas, os periódicos, as comunicações e a multimídia virtual são alguns desses. A demonstração do conhecimento é necessidade na comunidade acadêmica, onde esse conhecimento é o critério de mérito e acesso. Assim, existem as provas, concursos e diversos outros processos de avaliação pelos quais se constata a construção ou transmissão do saber. Difundir o conhecimento às esferas externas à comunidade acadêmica é atividade cada vez mais presente nas instituições de ensino, pesquisa e extensão, e o texto correspondente a essa prática tem característica própria sem abandonar a maior parte dos critérios de cientificidade. A recuperação do conhecimento é outra finalidade do texto acadêmico. Com bastante freqüência, parcelas significativas do conhecimento caem no esquecimento das comunidades e das pessoas; a recuperação e manutenção ativa da maior diversidade de saberes é finalidade importante de atividades científicas objeto da produção de texto. Quase todo conhecimento produzido é contestado. Essa contestação, em que não constitua conhecimento diferenciado, certamente é etapa contribuinte no processo da construção do saber que contesta, quer por validá-lo, quer por refutá-lo. As finalidades do texto acadêmico certamente não se esgotam nessas, mas ficam aqui exemplificadas. Para atender à diversidade dessas finalidades, existe a multiplicidade de formas, entre as quais se encontram alguns conhecidos tipos, sobre os quais se estabelece conceito difuso.

Tipos

Apresentamos, a seguir, alguns dos tipos mais comuns dos trabalhos acadêmicos formais, não considerando provas, exercícios e outros textos menos significativos. Há ainda sites, trabalhos de multimídia, encenações e outros que não são considerados, uma vez que o foco deste tópico está concentrado na produção escrita formal.

Trabalhos acadêmicos longos


Tese

Uma tese (literalmente 'posição', do grego θέσις) é uma proposição intelectual. Hoje é principalmente o trabalho acadêmico que apresenta o resultado de investigação complexa e aprofundada sobre tema mais ou menos amplo, com abordagem teórica definida. “É um texto que se caracteriza pela defesa de uma idéia, de um ponto de vista. Ou então pelo questionamento acerca de um determinado assunto. O autor do texto dissertativo trabalha com argumentos, com fatos, com dados, que utiliza para reforçar ou justificar o desenvolvimento de suas idéias”
tese é documento essencial para a obtenção do grau mestre, doutor, livre-docente ou professor titular. Deve revelar a capacidade de seu autor em incrementar a área de estudo que foi alvo de suas investigações, constituindo-se em real contribuição para a especialidade em questão. Seus itens basilares são: revisão de literatura, metodologia utilizada, rigor na argumentação e apresentação de provas, profundidade de idéias e avanço dos estudos na área. Um fator que caracteriza a tese é a originalidade. É elaborada sob a coordenação de um orientador quando se trata de uma tese demestrado ou doutoramento. Em geral, a tese é produção de cerca de 200 páginas, podendo variar bastante esse número. É o trabalho final dos cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado, elaborado depois de cursados os respectivos créditos e feita a pesquisa correspondente; nesses casos é desenvolvida sob assistência de um orientador acadêmico. É trabalho autônomo de pesquisador sênior, quando se trata de livre-docência ou acesso à titularidade. É defendida publicamente perante bancas de cinco ou mais doutores.

Dissertação


A tese deve revelar a capacidade do pesquisador em sistematizar o conhecimento, revelando a capacidade do doutorando em fornecer uma contribuição para a ciência, primando pela originalidade.
Dissertação é um trabalho acadêmico baseado em estudo teórico de natureza reflexiva, que consiste na ordenação de ideias sobre um determinado tema. A característica básica da dissertação é o cunho reflexivo-teórico. Dissertar é debater, discutir, questionar, expressar ponto de vista, qualquer que seja. É desenvolver um raciocínio, desenvolver argumentos que fundamentem posições. É polemizar, inclusive, com opiniões e com argumentos contrários aos nossos. É estabelecer relações de causa e conseqüência, é dar exemplos, é tirar conclusões, é apresentar um texto com organização lógica das idéias. Basicamente um texto em que o autor mostra as suas ideias.
A dissertação, geralmente, é feita em final de curso de pós-graduação, stricto sensu (mestrado), com a finalidade de treinar os estudantes no domínio do assunto abordado e como forma de iniciação a pesquisa mais ampla. Nesse caso, é produção de aproximadamente 100 páginas, podendo variar um pouco o número. É o trabalho final dos cursos de mestrado, elaborado depois de cursados os respectivos créditos e feita a pesquisa correspondente; é desenvolvida sob assistência de um orientador acadêmico. É defendida publicamente perante bancas de três ou mais doutores.
Na monografia (dissertação) para a obtenção do grau de mestre, além da revisão da literatura, é preciso dominar o conhecimento do método de pesquisa e informar a metodologia utilizada na pesquisa.
Dissertação científica, ou simplesmente exercitação, é o trabalho feito nos moldes da tese, com a peculiaridade de ser ainda uma tese inicial ou em miniatura.
A dissertação tem ainda finalidade didática, uma vez que constitui o grande treinamento para a tese propriamente dita.
Chama-se memória a dissertação sobre assunto científico, literário ou artístico, destinada a ser apresentada ao governo, a uma corporação ou academia

Monografia

Monografia é uma dissertação (em sentido lato) sobre um ponto particular de uma ciência, de uma arte, de uma localidade, sobre um mesmo assunto ou sobre assuntos relacionados. Normalmente escrito apenas por uma pessoa. É o principal tipo de texto científico. Trabalho acadêmico que apresenta o resultado de investigação pouco complexa e sobre tema único e bem delimitado.

A monografia é geralmente conhecida pelos universitários como o último e mais difícil trabalho de faculdade/universidade.
Raramente a monografia é elaborada com base em pesquisa original ou apresenta resultado de estudo experimental; normalmente é estudo recapitulativo, de base bibliográfica. Visa geralmente à obtenção do título de bacharel ou especialista, sendo usada ainda como trabalho de conclusão de alguma disciplina regular.

Em geral é produção de cerca de 60 páginas, variando pouco esse número. É o trabalho final dos cursos de graduação, elaborado depois de cursados os respectivos créditos e feita a pesquisa correspondente; é desenvolvida, em alguns casos, sob assistência de um orientador acadêmico. Raramente tem defesa pública.
A monografia é apontada como trabalho de conclusão para muitos cursos de graduação no Brasil, especialmente aqueles de caráter científico ou humanístico. Para trabalhos de mestrado, são normalmente escritas dissertações; para trabalhos de doutorado, teses. Ao contrário destas, uma monografia não precisa necessariamente apresentar resultados acadêmicos inéditos.
Segundo o dicionário Aurélio, a monografia é um estudo minucioso a fim de esgotar determinado tema relativamente restrito. Outra definição, a partir do exposto por Umberto Eco, por exemplo, em como se faz uma monografia se refere a textos de trinta a duzentas páginas redigidos durante uma disciplina ou curso por uma ou várias pessoas, sobre um tema referido aos estudos nos quais deve se aprofundar.
De acordo com seus propósitos, a monografia é construída a partir de inúmeras regras que visam basicamente o melhor tratamento da ideia ou assunto tratado assim como também gerar uma certa homogeneidade em relação à metodologia utilizada para sua criação.
Esta se baseia a partir de fatos ou ainda conceitos, devendo-se fundamentar o assunto de modo a que se obtenha uma coerência e relevância científica ou filosófica. Para tanto, a monografia necessita ser elaborada a partir do embasamento existente em bibliografias, que irão fundamentá-la ou ainda a partir de resultados práticos de pesquisa científica, como um modo de apresentação, racionalização e discussão dos mesmos.
É desejável que a monografia possua o máximo de vieses possíveis sobre o assunto tratado, de modo a possibilitar ao leitor o entendimento substancial do mesmo. Para tanto, esta é composta de inúmeras partes, textuais, pré e pós-textuais que possuem funções específicas de relevância conhecida.

Trabalho de conclusão de curso

O trabalho de conclusão de curso (TCC, eventualmente chamado trabalho de graduação interdisciplinar ou trabalho final de graduação e mais raramente projeto experimental) é um tipo de trabalho acadêmico amplamente utilizado no ensino superior como forma efetuar uma avaliação final dos graduandos que contemple a diversidade dos aspectos de sua formação universitária, no Brasil.
Em muitas instituições, o TCC é encarado como critério final de avaliação do aluno: em caso de reprovação, o aluno estará impedido de obter o diploma e conseqüentemente exercer a respectiva profissão até que seja aprovado. Embora a expressão "trabalho de conclusão de curso" possa ser utilizada em meios que não os da graduação universitária, no Brasil ela está invariavelmente ligada ao ensino superior.
O escopo e o formato do TCC (assim como sua própria nomenclatura) variam entre os diversos cursos e entre diferentes instituições, mas na estrutura curricular brasileira ele possui papel de destaque: em cursos ligados às ciências, normalmente é um trabalho que envolve pesquisa experimental, em cursos de caráter profissional, normalmente envolve: pesquisa bibliográfica e/ou empírica, a execução em si e uma apresentação de um projeto perante uma banca examinadora entre 3 e 5 professores (não necessariamente com Mestrado e/ou Doutorado).
A Banca Examinadora formada para tal propósito não cria nenhuma expectativa de originalidade. Portanto, pode ser uma compilação (e não cópia) de outros ensaios com uma finalidade, um fio condutor, algo que forneça um roteiro, uma continuidade.
Professores orientadores recomendam que o tema escolhido seja um assunto o qual o aluno possua afinidade. Ele vai passar talvez um ano ou mais escrevendo sobre um determinado assunto.Caso contrário, será muito mais difícil para o aluno conviver com ele todo esse tempo.
O tema deve ser procurado através de perguntas. Uma grande dúvida deve ser o início de um trabalho acadêmico. Algo que não foi respondido ainda. Alguma área do curso escolhido que ainda tenha algo escondido dos cientistas.
Estes são alguns tipos de trabalhos de conclusão de curso:
Estudo de caso
Revisão bibliográfica.
Pesquisa de recepção

Trabalhos acadêmicos curtos

Artigo

Artigo científico é o trabalho acadêmico que apresenta resultado sucinto de pesquisa realizada de acordo com a metodologia de ciência aceite por uma comunidade de pesquisadores. Por esse motivo, considera-se científico o artigo que foi submetido ao exame de outros cientistas, que verificam as informações, os métodos e a precisão lógico-metodológica das conclusões ou resultados obtidos.

Em geral, é produção de 40 páginas ou menos. Pode ser resultado de sínteses de trabalhos maiores ou elaborados em número de três ou quatro, em substituição às teses e dissertações; são desenvolvidos, nesses casos, sob a assistência de um orientador acadêmico. São submetidos às comissões e conselhos editoriais dos periódicos, que avaliam sua qualidade e decidem sobre sua qualidade relevância e adequação ao veículo.
É apresentado segundo a linguagem e método próprios de uma área da ciência e, de modo geral, com uma estrutura lógica de argumentação, apresentando inicialmente o problema ou objetivo da investigação, o conjunto de hipóteses, as possíveis soluções do problema ou modos de se atingir o objetivo, uma descrição dos métodos e técnicas utilizados, uma análise dos resultados obtidos, uma conclusão que aponta qual hipótese foi verificada experimentalmente.

Como há diversidade no que seja o método em cada área da ciência, a forma do artigo científico pode variar em sua apresentação, não existindo uma estrutura única que assegure, por si mesma, a cientificidade de um artigo ou texto que se pretenda científico.
Diante dessa impossibilidade de uma construção textual objetivamente científica, há a necessidade do exame do artigo pela comunidade científica, pois a ciência é uma forma de conhecimento de caráter público, cuja validade só se estabelece após o debate em torno dos resultados apresentados e do caminho percorrido - o método - que conduziu a sua construção.
Deste modo, o artigo científico, ao tornar público e aberto ao debate o conhecimento elaborado em pesquisa, é um meio fundamental para a divulgação e desenvolvimento da ciência.

Relatório

Um relatório é um conjunto de informações utilizado para reportar resultados parciais ou totais de uma determinada atividade, experimento, projeto, ação, pesquisa, ou outro evento, esteja finalizado ou ainda em andamento.

Quando se trata de um trabalho acadêmico, pode ser elaborado com referência a pesquisa original, ou apresentar estudo bibliográfico. Visa comumente apresentar o andamento de trabalhos junto a órgãos financiadores e fiscalizadores, pode ser etapa de estágio ou pesquisa. Nesse caso, é submetido às comissões e conselhos dos órgãos competentes, ou do evento, que decidem sobre o mérito.
Normalmente utiliza-se formatação padronizada, o que no entanto pode ser flexibilizado caso o âmbito do mesmo seja interno ao setor executante ou grupo a que este último pertence.
A dificuldade na criação de um relatório, é normalmente proporcional à complexidade e amplitude do assunto abordado. Em situações deste tipo, criar sub-relatórios pode ser uma boa alternativa.

Resenha

A resenha é um gênero textual em que se propõe a construção de relações entre as propriedades de um objeto analisado, descrevendo-o e enumerando aspectos considerados relevantes sobre ele. No jornalismo, é utilizado como forma de prestação de serviço. É texto de origem opinativa e, portanto, reúne comentários de origem pessoal e julgamentos do resenhador sobre o valor do que é analisado.
Resenha é um texto que serve para apresentar outro (texto-base), desconhecido do leitor. Para bem apresentá-lo, é necessário além de dar uma ideia resumida dos assuntos tratados, apresentar o maior número de informações sobre o trabalho: fatores que, ao lado de uma abordagem crítica e de relações intertextuais, darão ao leitor os requisitos mínimos para que ele se oriente quanto ao grau de interesse do texto-base.

Quando se trata de resenha científica, ou trabalho acadêmico de divulgação, apresenta síntese e crítica sobre trabalho científico mais longo. Pode ser elaborado com base em leitura motivada por interesse próprio ou sob demanda editorial. Visa geralmente à publicação em periódico técnico ou mesmo visando divulgação de conhecimento ao grande público pela veiculação em mídia ampla. Nesses casos a resenha é, geralmente, feita por um cientista da mesma área de conhecimento do texto-base.
Mas que informações dar sobre o texto? Ora, se o leitor não o conhece, é preciso informar-se, pelo menos, o nome do autor, o nome do texto, onde e quando foi publicado. Lembre-se de que o leitor pode querer ter acesso ao texto resenhado e, para tanto, precisa dessas informações básicas. Elas podem aparecer no corpo do texto ou no final , como uma citação bibliográfica. Se forem apresentadas no corpo do texto, devem ser bem integradas à exposição dos assuntos tratados.
E em que consiste uma abordagem crítica? Abordar criticamente um texto consiste em opinar sobre ele, apresentando problemas e qualidades que o resenhador julga importante destacar para o seu leitor. Portanto, a abordagem critica não significa, necessariamente, um levantamento dos problemas detectados no texto. Pode constituir-se também no destaque de certas qualidades.
Além das informações básicas e da abordagem crítica, uma boa resenha procura estabelecer relações do texto-base com outros textos (relações intertextuais), recurso que dá ao leitor outras possibilidades de entrada para o texto-base.
Do ponto de vista da construção do texto da resenha, a apreciação crítica obedece a um fio condutor que o resenhador julga como o ponto de entrada mais interessante para o leitor. O fio condutor é , portanto, o tópico que o resenhador escolhe do texto-base para despertar o interesse do leitor e serve para conduzir toda a sua exposição sobre o texto-base.
Sintetizando, resenha é a apresentação de um texto resultante de sua apreciação crítica por parte do resenhador. Assim entendida, ela tem sido chamada também de resenha crítica.
Resenha Descritiva é um resumo do livro de que você descreve as características. A resenha tem a seguinte base: opinião + facto.
O objeto resenhado pode ser de qualquer natureza: um romance, um filme, um álbum, uma peça de teatro ou mesmo um jogo de futebol. Uma resenha pode ser "descritiva" e/ou "crítica".


Comunicação

O sistema de comunicação científica de uma determinada área do conhecimento é formado pelas diferentes formas de comunicação utilizadas pelos cientistas que representam a referida área.
Com o advento da rede mundial, conhecida como Internet, as formas de comunicação vêm se alterando, modificando, ampliando e proporcionando maior rapidez, eficiência, amplitude e rompendo barreiras temporais, geográficas e financeiras tanto nos canais formais como nos canais informais de comunicação. A comunicação informal caracteriza-se pela comunicação de carater pessoal, isto é, acesso limitado e pequena tiragem. Como exemplo dessa categoria de documento temos as cartas, os relatórios de pesquisas em andamento, relatórios de governo, a comunicação oral, entre outros.
Por sua vez a comunicação formal é caracterizada pelo amplo acesso e grande tiragem das fontes de informação como livros, artigos de periódicos.
De acordo com GROGAN (1992)os documentos ou fontes de informação podem apresentar-se em três categorias distintas:
1. documentos ou fontes primárias - são aqueles que discutem idéias novas, novas interpretações sobre acontecimentos importantes ou novos registros com a interferência direto do autor. São fontes que apresentam a dificuldade de acesso porque estão dispersas e praticamente fora do sistema de controle bibliográfico.
2. documentos ou fontes secundárias - documentos organizados de acordo com um arranjo definido, podendo ser arranjo alfabético, cronológico ou sistemático que contêm informações filtradas, organizadas e retiradas das fontes primárias. São exemplos os dicionários e as enciclopédias.
3. documentos ou fontes terciárias - não apresentam conhecimento, são na verdade guias, direcionadores, sinalizadores para a localização de informaçao contida nas fontes primárias e secundárias. Os catálogos, diretórios, bibliografias são exemplos dessa categoria.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Trabalho_acad%C3%AAmico#Tipos

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Comunicação: O Coração da Liderança

Os especialistas em comunicação Stuart Crainer e Des Dearlove dividem a seguir os oito segredos dominados pelos melhores líderes empresariais, com exemplos reais.

O que os líderes corporativos realmente fazem o dia todo? Pergunte a eles e a resposta será algo sobre estratégias, visão e missão. Eles vão lhe contar sobre suas incontáveis viagens e suas intermináveis reuniões, sobre suas agendas abarrotadas e sobre como eles ficam sem ver os filhos por muitos dias. Pressione-os um pouco mais, e é provável que você depare com um silêncio estranho enquanto eles pensam sobre o que  realmente fazem.
O coração da liderança não está no mundo esotérico da estratégia. É algo bem mais mundano e, por isso mesmo, amplamente ignorado por professores, especialistas e, sem dúvida, pelos líderes. O que os líderes
realmente fazem é comunicar. Seja mandando um e-mail de seu Black-Berry, fazendo uma apresentação
para o conselho de administração, escrevendo uma nota de agradecimento para alguém que obteve uma
grande conquista ou elaborando uma avaliação anual, um líder está sempre comunicando. No entanto, mesmo que eles passem a maior parte de seu tempo se comunicando com pessoas de dentro e de fora da
organização, os líderes raramente são treinados nas nuanças da comunicação.Observe o conteúdo dos programas de MBA geralmente oferecidos e você encontrará as “matérias pesadas”de sempre: economia, estratégia, marketing, contabilidade e assim por diante. A comunicação é o elefante invisível na sala de aula
de um MBA. Na verdade, um aluno de MBA que já esteja no mundo corporativo lhe dirá que a estratégia é

a parte fácil; o desafio está mesmo é na execução. O que ele raramente acrescentará é que a comunicação
está na base de qualquer processo de execução, em qualquer lugar.
Vejamos o caso de Kevin Kelly,presidente da Heidrick & Struggles, multinacional de recrutamento de
altos executivos. Kelly é o típico CEO moderno, incansável e sempre viajando. Trabalhando em um
livro com ele, pedimos que visse um dia em sua agenda. “A verdade é que toda vez que estou em trânsito,eu faço uma ligação. Sempre que tenho um intervalo, eu ligo para alguém”, admite ele. “Eu repasso mentalmente a lista das pessoas com quem faz algum tempo que não falo ou alguém com quem já trabalhei e que teria notícias para comentar.” Seu dia revela uma enxurrada de ligações e reuniões em grupo com pessoas de dentro e de fora da organização. Em resumo, seu dia de trabalho típico consiste em comunicação.
Também perguntamos a Alastair Trivett como é seu dia. Trivett,diretor mundial da BSI Product Services, com sede no Reino Unido, que faz teste de segurança para todo tipo de produto, de preservativos
a para-brisas, explica que seu dia geralmente inclui pelo menos uma reunião com clientes: “Algumas
vezes eu sento e converso com o cliente; outras eu apresento a empresa e mostro o que podemos
fazer”. Trivett também entrevista pessoas para cargos na empresa e anda pelos laboratórios e escritórios
da companhia. “No começo, acho que as pessoas ficavam surpresas em me ver, mas agora não mais”,
explica. “Elas até gostam. Conversam comigo. Se você conversa com as pessoas e mostra a elas que está
interessado no que fazem, elas responderão positivamente. Quando ando pelos laboratórios, faço isso
por interesse genuíno.” E, no final das contas, há também as reuniões intermináveis. “Tenho todas as minhas
reuniões programadas no começo do ano. Escolho as reuniões em que tenho de estar presente e as
anoto em minha agenda. Passo isso para meu pessoal, de maneira que, digamos, no dia 1º de janeiro, todos
sabem onde devem estar. Se não fosse assim, eu teria de acordar de manhã e pensar ‘Bem, o que eu vou
fazer hoje?’. Você pode facilmente se perder desse jeito. É preciso manter o foco e garantir que as coisas
aconteçam.”
O que os executivos devem entender sobre comunicação para fazer com que isso conte a seu favor?
O que caracteriza os melhores comunicadores entre os executivos?
Depois de ter trabalhado com muitos líderes na última década, descobrimos que os comunicadores mais
eficazes dominam oito segredos de comunicação de liderança.

Esteja sempre ligado


O primeiro aspecto a reconhecer é que, como líder, você está se comunicando 24 horas por dia, sete
dias por semana. E tudo o que faz é amplificado e pode ser distorcido.Todos estão de olho em você, esperando uma “deixa” sua. Pequenas coisas se tornam importantes, de modo que o menor dos gestos ou qualquer “gracinha” acabam sendo examinados minuciosamente em busca de sinais de suas intenções.Mesmo uma caminhada pelos corredores da empresa está imbuída de significado: com quem você fala ou não é digno de nota.
Há também aqueles que estão fora da empresa: a mídia, os analistas financeiros, os acionistas. Para o
presidente desavisado, uma observação sem pensar durante o almoço pode virar manchete dos jornais.
Internamente, também, palavras indiscretas podem reverberar.
Um exemplo clássico dos perigos do que se fala, mesmo que seja em segredo ou “em off ” para a mídia,
é o do executivo britânico Gerald Ratner, que comandava uma cadeia de joalherias muito bem-sucedida.
Era uma empresa familiar, uma instituição britânica. Bem-sucedido e confiante, Ratner fez um discurso
em 1991 para um grupo de executivos em que soltou algumas piadas sobre os iludidos que o tornaram
um homem rico comprando sua mercadoria de má qualidade; algumas das joias vendidas por suas
lojas, brincou, eram “mais baratas que um sanduíche de shopping center, mas provavelmente não durariam
tanto”. Um jornalista de um jornal sensacionalista soube do discurso e a história foi parar na primeira
página. Ratner se viu em maus lençóis e a cadeia de lojas da família acabou condenada pela história.
Ser o líder significa ter o microfone permanentemente aberto diante de si. Mesmo seu silêncio tem
significado. Em épocas de incerteza, o silêncio é a mais “barulhenta” das mensagens. A comunicação, como
a natureza, abomina o vácuo. Experimente criar o vácuo em sua organização e a fábrica de boatos vai correr para preenchê-lo. A não comunicação não é uma opção.Como lidar com isso depende de sua personalidade, mas você precisa reconhecer que está se comunicando mesmo quando não quer fazer isso.
Líderes inteligentes fazem com que essa realidade vire a seu favor, transformando em virtude o que
poderia ser vício. Martin Sorrell,presidente do WPP Group, o maior grupo de propaganda do mundo,
é famoso pela velocidade com que responde a seus e-mails, a qualquer hora, em qualquer lugar. “Se alguém
entra em contato com você, existe uma razão”, ressalta ele. “Não há nenhuma relação com a hierarquia.
Não importa se não é alguém ‘grande’.Não há nada mais frustrante do que deixar uma mensagem de
voz e não ter resposta. Nós somos prestadores de serviço.” Não é raro que Sorrell passe uma semana trabalhandonos Estados Unidos, mas no fuso horário do Reino Unido para colaborar com seus funcionários
que estão em Londres. Sua atitude transmite uma mensagem clara: “Se você trabalha para mim,você é importante”.

Conheça sua mensagem


Os políticos costumam dizer que é importante manter uma mesma mensagem ao longo do tempo, e
essa é uma lição igualmente importante para os líderes corporativos.Alguns argumentarão que é muito
comum, na política e no mundo corporativo, fazer com que as coisas pareçam melhores do que
realmente são, mas não é falso ser coerente com o que você diz.A coerência requer disciplina. Os
melhores líderes que conhecemos dão muita importância e se esforçam em descobrir as prioridades
de sua organização e articulá-las de maneira consistente.
No começo de nossa carreira como consultores, trabalhamos com um novo presidente de empresa que
fora trazido de fora para transformar uma organização. Em nosso primeiro encontro, ele delineou sua
estratégia e nos perguntou como poderíamos ajudá-lo a torná-la realidade.Voltamos com sugestões e
ele marcou nova reunião. Mais uma vez ele delineou sua estratégia. Ficamos nos perguntando se ele estava
tentando, de maneira educada, nos dizer alguma coisa. Será que nossas recomendações passaram
longe do alvo? Será que ignoramos algum elemento crucial de seu plano? Não. Na verdade, ele gostou das
recomendações e permitiu que as colocássemos em prática. Em todas as reuniões que se seguiram, por
cerca dos dois meses que durou o projeto, o presidente abordou sua estratégia conosco. Em cada encontro,
ele apresentava suas ideias de forma mais forte e concisa. Ao final, ainda preocupados que ele estivesse
pensando que nós não havíamos compreendido a estratégia, perguntamos por que ele a repetia para
nós. “Porque esse é meu trabalho como presidente”, disse.
Ele estava certo, é claro. Além de elaborar a estratégia, um líder deve transmiti-la para a organização.
A melhor estratégia do mundo é inútil a menos que deixe a cabeça do CEO e vá parar na cabeça das
pessoas que farão com que se torne realidade. Certo apetite pela repetição ajuda. Os melhores líderes que
já conhecemos têm sua mensagem na ponta da língua e são capazes de sonhar com ela. A liderança é um
trabalho barulhento. Você tem de repetir a mesma coisa várias vezes para públicos diferentes. Você pode
enfatizar um aspecto em particular para a mídia, outro para os funcionários ou para os analistas, mas as
mensagens devem ser coerentes.

Destile sua mensagem


Não é suficiente conhecer sua mensagem. Você deve ser capaz de transmiti-la de forma concisa. Comunicadores eficazes são mestres em destilação. Como no uísque de qualidade, sua mensagem
deve ser reduzida a sua essência. Mensagens memoráveis são fáceis de comunicar.
Na GE, Jack Welch nunca teve reconhecimento suficiente por sua grande habilidade em se comunicar.
Uma de suas capacidades subestimadas era a de destilar uma mensagem clara e repeti-la infinitamente. Sua

época na GE pode ser dividida em três partes, com três mensagens simples.A primeira se caracterizou pela
mensagem de que cada negócio da GE deve ser o número 1 ou número 2 em seu setor de atividade, sob o
aspecto da participação de mercado.Durante a segunda parte, com foco no programa de qualidade 6-Sigma,ele ressaltou que esses mesmos negócios definem seus mercados, forçando os gestores a buscar novas oportunidades além das fronteiras estreitas de mercados preconcebidos.Na parte final, com a internet
mudando o mundo dos negócios, ele resumiu sua mensagem em uma frase: “Destrua seu próprio negócio
antes que alguém o faça”.

Pense no público

Coloque-se no lugar de seu público. Por exemplo, analistas financeiros não estão interessados em
grandes visões sobre um mundo melhor; eles querem os números.Funcionários, por sua vez, querem
ser motivados.
Há um vídeo clássico no YouTube que mostra Steve Ballmer superexcitado e transpirando, tomando o
palco de um evento da Microsoft e proclamando que ele ama a empresa.Para quem é de fora, o discurso
exagerado de Ballmer pode ser motivo de riso; para os funcionários da Microsoft, ele tem um efeito mais
positivo: eis alguém que tem energia e crença total na empresa.
Acima de tudo, as pessoas desejam loucamente significado. Os funcionários do Google, ou a maioria
deles pelo menos, são motivados não por quanto dinheiro a empresa está faturando, mas pela sensação
de que eles estão fazendo a diferença.Para eles, o slogan corporativo (muito bem destilado) “Não faça
o mal” é mais importante que os resultados financeiros no próximo trimestre.

Encontre seu tom

Grandes comunicadores são autênticos.Líderes eficazes conhecem suas forças e fraquezas. Alguns falam
bem para auditórios de mil pessoas, outros preferem a intimidade de uma pequena sala de aula, e há os que se destacam na comunicação um a um.O importante é que o líder escolha o meio que combina consigo e, assim,que seja eficiente para transmitir a mensagem que deseja.
Pense em Franklin D. Roosevelt.Quando precisou comunicar seu New Deal para os norte-americanos
comuns de modo a motivar a esperança e a confiança, ele inventou uma forma de transmissão por rádio. Suas “conversas ao pé da lareira” se encaixaram perfeitamente no que ele tinha de melhor em comunicação: informal e pessoal. Grandes líderes encontram seu meio mais eficiente.
Há também o caso de Richard Branson, do Virgin Group. Apesar dos muitos anos de palco, os discursos
de Branson tendem a ser titubeantes; falar em público não é seu forte. Mesmo assim, ele é reconhecido
em todo o mundo e é um comunicador altamente eficaz dos valores-chavede sua empresa. O que
Branson descobriu há alguns anos foi que sua disposição de fazer de si mesmo um “bobo” e experimentar
coisas que outros presidentes de empresas não pensariam é, na verdade, uma declaração poderosa nos
valores da marca Virgin: diferente,colorida, iconoclasta e apaixonada por diversão. Branson se veste
como uma “noiva Virgin” e, ao fazer o papel de astronauta ou escalar montanhas, está se comunicando,
e em grande estilo.
Ao visitar o escritório de um executivo em Tóquio, fomos surpreendidos por uma carta escrita à
mão, que estava pendurada na parede, orgulhosamente emoldurada. Era uma nota de agradecimento de
Jack Welch, como nosso anfitrião fez questão de explicar. Welch ficou famoso por escrever à mão cartas
de congratulações para pessoas que conheceu.
Outro presidente de empresa que conhecemos gastava todo o tempo que passava no banco de trás do carro escrevendo cartas para serem enviadas por fax às pessoas assim que ele chegasse a seu destino. É claro que a comunicação hoje ficou mais fácil do que mandar fax. Você pode enviar e-mails em massa para
todos na organização apenas apertando um botão. Algumas vezes, isso é o mais apropriado a fazer. Outras,
não. Como em tudo na vida, o contexto é tudo.

Conte histórias

O ser humano usa as histórias para transmitir mensagens importantes praticamente desde que foi
capaz de falar. As pessoas estão sempre ansiosas por narrativas, pois elas fornecem sentido. Fatos e números dão conteúdo, mas isso não é capaz de substituir o contexto.
Desde os primórdios, as pessoas têm usado as histórias para transmitir mensagens importantes. Sejam
elas contadas pelos anciões tribaisao redor de uma fogueira ou por menestréis que iam de aldeia em
aldeia, as histórias sempre serviram para passar adiante memórias coletivas muito antes de as pessoas serem
capazes de ler ou escrever. Muitas vezes elas tinham um objetivo que ia além do simples entretenimento;
mesmo os contos de fada, por exemplo,contêm sabedoria.
Hoje o poder das histórias é cada vez mais reconhecido no mundo dos negócios. General Electric,Royal Dutch/Shell, IBM, Unilever e Nestlé estão entre as empresas que as utilizam explicitamente em seu
processo de comunicação. Todo líder precisa de uma narrativa que lide com algumas questões fundamentais:
quem sou? O que defendo? Para onde estamos indo? O que tudo isso significa para aqueles que me seguem?
Comunicadores eficazes reconhecem que a comunicação deve falar à mente e ao coração. No primeiro caso, trata-se de apresentar um quadro racional, utilizando dados objetivos. Mas é o coração que
gera compromisso com a ação.
Como Terry Pearce, coach de executivos e especialista em comunicação altamente respeitado, diz:
“Enquanto a mente procura pelas provas, o coração procura pelo envolvimento. Enquanto a mente
busca informação, o coração busca paixão. Enquanto a mente quer respostas, o coração quer experiência.
A mente toma uma decisão, mas é o coração que se compromete”.

Use símbolos

O que dizemos como líderes é importante. Mas as pessoas também julgam seus líderes pelo que eles
fazem. As ações falam mais alto. Veja o caso da final da Copa do Mundo de Rúgbi de 1995, entre a
África do Sul e a Nova Zelândia. O torneio era sediado na África do Sul e visto como afirmação da transição do país, de uma nação recriminada em todo o mundo para uma democracia moderna. O rúgbi era tradicionalmente jogado pela população branca do país, enquanto os negros jogavam e acompanhavam o futebol.
O presidente então recém-eleito Nelson Mandela, vestindo o uniforme da Seleção Sul-Africana, compareceu à final. Sua mensagem era simples: branco ou negro, somos todos sul-africanos agora. O time
de Mandela bateu os favoritos –uma vitória pela unidade.
Comunicadores eficazes reconhecem o poder de ações simbólicas.Quando a empresa farmacêutica
Roche se viu com problemas por conta de boatos de aquisição hostil, em vez de responder aos muitos
pedidos de entrevista da mídia, o presidente Franz Humer manteve seus planos e foi esquiar no fim de
semana. Sua mensagem foi a de que ele não estava preocupado com as conversas sobre takeover e que permanecia no controle da situação. Sua atitude foi mostrada pela mídia e a fábrica de boatos parou de
funcionar.
A comunicação simbólica também pode ser mais mundana. Onde os líderes estacionam seu carro fala
alto sobre a cultura da empresa. Se o presidente estaciona seu Mercedes bem perto da porta da frente,
enquanto todo mundo tem de atravessar a área de estacionamento, os funcionários podem concluir que a
hierarquia está viva e firme, apesar do esforço para obter uma estrutura de gestão mais plana. Quando
Greg Dyke se tornou diretor-geral da BBC, em 2000, herdou uma organização desmoralizada, com uma
estrutura de gestão pesada, especialmente no topo. Uma de suas primeiras ações foi se livrar dos carros com motorista destinados aos executivos seniores. Isso mandou uma mensagem clara de que o corte de custos havia começado pelo topo, em vez de se iniciar pelos de baixo.

Fique em contato

Talvez a prática mais difícil para todos os líderes seja permanecer em contato com todos seus stakeholders,
tanto interna como externamente. É relativamente fácil para um executivo fazer isso em seus primeiros
dias no cargo, pois ainda lembra como é não estar na liderança. Com o passar do tempo, é claro, essa memória se vai.
Os melhores líderes trabalham duro para se manter em contato. A mais subestimada das práticas de comunicação é saber ouvir. Para alguns líderes, ouvir é simplesmente tolerar “o barulho dos outros”,
antes de chegar o momento de ele próprio falar. Mas as pessoas são capazes de perceber quando o líder
está apenas fingindo ouvir.
Grandes líderes são grandes ouvintes.Eles ouvem o que as pessoas têm a dizer e usam essa informação
para transmitir suas decisões. Esses líderes não dão atenção apenas a seus assessores ou àqueles que falam
mais alto.
Ao deixar o poder em junho de 2007, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair disse aos jornais:
“O mais difícil da liderança é aprender a ignorar as vozes mais altas”.
A grande ironia da comunicação é que, quando você pensa que não está se comunicando, talvez esteja
transmitindo sua mais forte mensagem.

Stuart Crainer é editor da Business Strategy
Review e Des Dearlove é cofundador da Suntop Media.
HSM Management 74 maio-junho 2009